Foi uma surpresa absoluta. Não havia qualquer sinalização de que chegaríamos a esse patamar”, afirma Leonir?Tesser, empresário do setor madeireiro e vice-presidente regional Centro Norte da Fiesc. Segundo ele, aproximadamente 80% dos embarques de madeira moldada, móveis e componentes produzidos em Caçador têm como destino direto o mercado norte americano. “Se essas tarifas permanecerem, o impacto no nosso fluxo de caixa será imediato e profundo”, acrescenta.
A Associação Empresarial de Caçador (Acic) partilha da apreensão. Para o presidente José?Carlos?Tombini, o primeiro sentimento é “tristeza” diante de um cenário que considera inviável para a continuidade das remessas. “Não há margem para conceder 50% de desconto ao cliente nem para repassar isso ao consumidor final nos Estados Unidos. Com essa alíquota, vender para lá deixa de fazer sentido econômico”, resume.
Nos últimos cinco anos, a indústria caçadorense investiu pesadamente em automação e em linhas de produção desenhadas para atender exigências técnicas e de design dos Estados Unidos. “Migrar para outro mercado não se faz do dia para a noite. Todo o parque fabril foi dimensionado pensando no padrão americano”, explica Tesser. A possibilidade de redirecionar vendas para a Europa ou Ásia é citada como alternativa apenas de longo prazo, pois exigiria ajustes produtivos e logísticos.
Tesser e Tombini informaram já ter acionado a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) para reforçar a pressão por uma solução negociada antes de?1º?de?agosto. “Se as razões da tarifa forem econômicas, que se encontre contrapartida na mesma dimensão econômica; se forem políticas, que a diplomacia atue”, diz Tesser.
Tombini faz coro: “Serenidade agora é fundamental. Precisamos dar espaço para que Brasília converse com Washington e retome, ao menos, a tarifa anterior de 10%. Todos perdem com um bloqueio comercial dessa escala”.
Além da queda de receita nas exportações, empresários já projetam efeitos colaterais sobre o câmbio, combustível e preços de insumos. “A indústria vem contratando e expandindo desde 2020; uma barreira desse tamanho pode inverter a curva e comprometer novos empregos”, alerta Tombini.
Enquanto aguardam as tratativas diplomáticas, empresas avaliam estratégias emergenciais — da renegociação de contratos à eventual suspensão de turnos de trabalho — para absorver o choque caso a tarifa de 50% se confirme no mês que vem.

