A região de Caçador, localizada no Meio-Oeste catarinense, apresenta um dos maiores índices de feminicídio em Santa Catarina. Dados recentes do “Mapa do Feminicídio”, desenvolvido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), indicam uma taxa alarmante de 2,75 mortes por cada 100 mil mulheres na área. O levantamento, que analisou os casos registrados entre os anos de 2020 e 2024, acende um alerta para a urgência de medidas preventivas e de combate à violência de gênero na localidade.
O feminicídio, caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão de sua condição de gênero, frequentemente decorre de contextos de violência doméstica, ameaças, perseguições e relacionamentos abusivos. O estudo do MPSC revelou um padrão preocupante: cerca de 70% das vítimas já haviam sido alvo de algum tipo de violência, como agressões ou ameaças, antes do crime fatal. Essa constatação sublinha a necessidade de identificação e intervenção precoce em situações de risco, a fim de evitar o desfecho trágico.
O “Mapa do Feminicídio” foi concebido para fornecer um panorama detalhado sobre a incidência e as circunstâncias desses crimes em Santa Catarina, analisando processos, investigações e dados oficiais de segurança e justiça. Um dos pontos destacados pela pesquisa é a prevalência de muitos desses crimes em municípios distantes dos grandes centros urbanos. Nessas localidades, o acesso a serviços de proteção, acolhimento e canais de denúncia pode ser mais limitado, um fator que, segundo as autoridades, contribui para a vulnerabilidade das mulheres e para o aumento da violência.
Em resposta a esses dados, um painel promovido pelo MPSC reuniu autoridades, representantes da segurança pública e profissionais atuantes na proteção feminina para debater estratégias de prevenção e o fortalecimento da rede de apoio às vítimas. O projeto busca, além de mapear os dados estatísticos, transformar esses números em ações concretas, auxiliando os órgãos públicos a identificar as regiões mais vulneráveis e a desenvolver políticas públicas eficazes. A denúncia imediata, seja pelo telefone 190 da Polícia Militar ou pelo 180, canal nacional de atendimento à mulher, é reiterada como crucial para a interrupção do ciclo de violência e a salvaguarda de vidas.

