O setor de fabricação de produtos de madeira em Santa Catarina registrou um declínio significativo no número de empregos formais em agosto, com o fechamento de 926 postos de trabalho. Este saldo negativo representa a demissão de quase mil pessoas em apenas um mês, impactando diretamente a força de trabalho de uma das indústrias mais tradicionais e relevantes para a economia do estado. Os dados, compilados e divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelam a magnitude do desafio enfrentado pela atividade.

Esta expressiva redução no quadro de funcionários coincide com o primeiro mês de implementação das tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros. A medida, popularmente conhecida como “tarifaço”, elevou o custo de produtos nacionais no mercado americano, afetando a competitividade das exportações e, consequentemente, a demanda por bens produzidos no Brasil, incluindo os de madeira.

A indústria de produtos de madeira, historicamente dependente das exportações, especialmente para o mercado norte-americano, demonstrou ser particularmente vulnerável a essas barreiras comerciais. A queda acentuada nos números de emprego sublinha as consequências diretas das políticas de comércio internacional sobre os setores produtivos locais e seus trabalhadores, gerando instabilidade e incerteza no ambiente de negócios.

Representantes do setor e analistas econômicos expressam preocupação com os efeitos de longo prazo dessas tarifas na economia catarinense. Os números de agosto servem como um alerta claro sobre como as dinâmicas do comércio global podem influenciar diretamente a estabilidade do mercado de trabalho e o desempenho econômico de estados que possuem uma forte base industrial e exportadora, como Santa Catarina.