Na noite da quinta-feira (5) se reuniram na Prefeitura de Caçador representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e do Executivo, para seguir com a negociação sobre o aumento real dos salários da categoria. De acordo com o presidente do Sindicato, Jorge Gonçalves, o encontro havia sido previamente agendado na semana passada para que o Executivo apresentasse uma contraproposta após as reivindicações da categoria.

Segundo ele, o prefeito Alencar Mendes, juntamente com sua equipe, apresentou novos cálculos e indicou até onde o município poderia chegar em termos de reajuste. “Isso é um avanço muito importante porque até então a gente não tinha essa contraproposta e agora temos algo para continuar a negociação”, afirmou Jorge.

A proposta apresentada pela Prefeitura prevê 2,35% de aumento real, além dos 4,44% referentes à reposição inflacionária, percentual que já foi aprovado pela Câmara de Vereadores. O reajuste real passaria a valer a partir do mês de julho.

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Apesar de considerar o avanço no diálogo, o sindicato avalia que a proposta ficou abaixo da expectativa da categoria. Por isso, o tema será levado novamente para deliberação dos servidores.

Entre as possibilidades está a apresentação de uma nova contraproposta ao Executivo ou até mesmo o início de uma paralisação parcial ou total das atividades.

A assembleia extraordinária está marcada para segunda-feira, dia 9, às 19h, na sede do sindicato, quando os servidores irão discutir e decidir o encaminhamento da negociação.

Jorge Gonçalves destacou que os servidores permanecem em estado de greve, situação que já havia sido comunicada oficialmente ao prefeito no dia 25 de fevereiro.

Segundo ele, o estado de greve permite manifestações da categoria nos locais de trabalho, como uso de adesivos, camisetas e faixas, além de atos públicos.

Nas últimas semanas, os servidores realizaram manifestações em frente à Prefeitura e também na Câmara de Vereadores como forma de pressionar o Executivo a apresentar uma contraproposta.

O prefeito Alencar Mendes afirmou que o diálogo com os sindicatos é fundamental e que a reunião foi produtiva.

Segundo ele, o município enfrenta dificuldades financeiras que impactam diretamente a capacidade de conceder reajustes maiores.

O prefeito explicou que a Prefeitura de Caçador registrou uma perda de cerca de R$ 15 milhões na arrecadação no ano passado, resultado de fatores econômicos como a questão das tarifas e a redução de dinheiro circulante na economia.

Para 2026, a expectativa é de que o cenário seja semelhante. Além disso, ele destacou que a inflação, especialmente relacionada ao preço dos combustíveis, pode gerar revisões de contratos e aumentar despesas do município.

“Esse é um problema meu, eu tenho que resolver. Mas dentro dessas resoluções está a questão dos servidores, que são peças fundamentais para o funcionamento do serviço público”, disse.

O prefeito também lembrou que recentemente houve mudanças no vale-alimentação dos servidores, que passou de R$ 400 para R$ 800, o que representa aumento significativo nas despesas da folha.

Outro fator citado foi o chamado crescimento vegetativo da folha de pagamento, quando servidores têm progressão salarial natural ao longo da carreira. Segundo ele, esse crescimento representa aproximadamente 4,5% de aumento anual nos gastos com pessoal, mesmo sem aplicar reajustes inflacionários.

Alencar Mendes destacou ainda que a administração precisa respeitar os limites legais de gastos com pessoal. De acordo com ele, a nova proposta de 2,35% de aumento real somada aos 4,44% de reposição inflacionária já leva o município ao limite prudencial da folha de pagamento, previsto na legislação.

Ultrapassar esse limite poderia gerar impedimentos legais para a Prefeitura, inclusive para realização de reformas administrativas ou criação de novos cargos. “Chegamos exatamente ao limite do possível. Qualquer coisa além disso seria ilegal”, afirmou.

Mesmo assim, o prefeito reforçou que a gestão permanece aberta ao diálogo. “Diálogo significa falar e ouvir. Essa proposta está sob análise do sindicato e vamos acompanhar os próximos passos”, concluiu.